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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Viagens na minha Terra: Quinta da Regaleira

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Boa noite...


Venho, nesta fria e chuvosa noite de Inverno, fazer, por este meio, rasgado elogio a uma das maiores obras arquitectónicas de Portugal. Um empreendimento nunca antes visto, ao tempo da sua construção, dedicado à beleza e ao mito, e cujos propósitos não se limitam a uma casa de receber bem. Não, de todo... Para além do Palácio, outras obras e feitos da engenharia povoam este canto de serra. Não necessariamente dedicadas ao conforto físico dos habitantes da moradia principal, são peças de um puzzle filosófico, a descobrir por quem percorra os caminhos escondido na pedra e na vegetação... Desde descer ao Inferno, pelo poço iniciátioco e fazer o caminho de Orfeu novamente até à luz, até subir aos Céus, nas torres do palácio, tudo é possível neste lugar de espiritualidade transcendente...


Para vós... Quinta da Regaleira





"Situada em pleno Centro Histórico de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO, a Quinta da Regaleira é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios do Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de construções, nascendo abruptadamente no meio da floresta luxuriante, é o resultado da concretização dos sonhos mito-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).



A imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com particular destaque para o gótico, o manuelino e a renascença - e, por outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições míticas e esotéricas.



A Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a memória, a paisagem, os mistérios. Torna-se necessário conhecê-la, contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima Trindade, que nos permite descermos à cripta onde se recorda com emoção o simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões que nos oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para apreciação do mundo celeste.



A culminar a visita à Quinta da Regaleira, há que invocar a aventura dos cavaleiros Templários, ou os ideais dos mestres da maçonaria, para descer ao monumental poço iniciático por uma imensa escadaria em espiral. E, lá no fundo com os pés assentes numa estrela de oito pontas, é como se estivéssemos imerses no ventre da Terra-Mãe. Depois, só nos resta atravessar as trevas das grutas labirínticas, até ganharmos a luz, reflectida em lagos surpreendentes."

in http://www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=2907


"Memória histórica

A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira é escassa para os tempos anteriores à sua compra por Carvalho Monteiro. Sabe-se todavia que, em 1697, José Leite adquiriu uma vasta propriedade no termo da vila de Sintra que corresponderia, aproximadamente, ao terreno que hoje integra a dita Quinta - a esta data parecem remontar, pois, as origens da quinta em questão.

Francisco Alberto Guimarães de Castro comprou a propriedade - conhecida como Quinta da Torre ou do Castro - em 1715, em hasta pública e, após as licenças necessárias, canalizou a água da serra a fim de alimentar uma fonte ai existente.

Em 1800, a quinta é cedida a João António Lopes Fernandes estando logo, em 1830, na posse de Manual Bernardo, data em que tomou a designação que actualmente possui. Em 1840, a Quinta da Regaleira foi adquirida pela filha de uma grande negociante do Porto, Allen, que mais tarde foi agraciada com o título de Baronesa da Regaleira. Data provavelmente deste período a construção de uma casa de campo que é visível em algumas representações iconográficas de finais do século XIX.

A história cia Regaleira actual principia, todavia, em 1892, alio em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro por 25 contos de réis (Anacleto, 1994: 241).

O célebre “Monteiro dos Milhões” nasceu no Rio de Janeiro em 1848, filho de pais portugueses, que cedo o trouxeram para Portugal. Licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, Monteiro foi um distinto coleccionador e bibliófilo, detentor de uma das mais raras camonianas portuguesas, homem de cultura que decerto influenciou, se não determinou mesmo, parte bastante razoável do misterioso programa iconográfico do palácio que construiu para si, nas faldas da serra de Sintra

in "Sintra Património da Humanidade", retirado de http://www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=3392



A Quinta de Regaleira possui uma grande variedade de espécies vegetais, cultivadas ou espontâneas. A imagem presente é de uma Dedaleira, mais precisamente Digitalis Purpurea, uma planta venenosa, que pode ser inclusivamente fatal devido à presença de digitalina.



Um fonte guardada por dois pequenos monstros aquáticos marca uma entrada para os túneis que desaguam no poço iniciático. A partir deste ponto e seguindo pelo túnel, a saída encontra-se a meio da escada em caracol que leva ao fundo do poço e aos túneis que vão sair à cascata.



Poço Iniciático



Por toda a quinta andam espalhadas figuras simbólicas, elementos decorativos do oculto, como este bode que faz parte de um grande vaso. Neste local em particular, podemos encontrar um banco em semi-círculo, acompanhado de uma grande mesa e uma fonte na parede em frente, feita a partir de um acidente do terreno e com a inicias do último dono da Quinta.



Admitam, vá, já estavam a estranhar a minha ausência... Pois é, como não quero, de todo, desapontar-vos, aqui estou eu, a posar nuns arcos perto da entrada, com o palácio como vista de fundo. A título de curiosidade, saibam que a Quinta da Regaleira aparece na mini série As viagens de Gulliver, salvo erro na parte quem o Gulliver encontra a corte que não morre, pois detém o controlo sobre uma fonte da juventude... Mas como se sabe, tudo tem um preço, e a vida eterna não é excepção, à medida que bebem para se manterem vivas e jovens, vão ficando decrépitas e perdem faculdades, apesar da sua aparência agradável...



Pérola da fotografia com mania que é artística, este espaço tem todos os elementos que as mentes mais excêntricas podem desejar, desde uma decoração mais romântica e em pedra branca, até às torres com ar medieval e desgastadas pelo tempo e pela "cinzentês" das pedras da sua construção...



Mas não só de belas produções arquitectónicas vive este lugar mágico. Nele residem também o mito e a lenda, como prova este azulejo. Segundo a lenda, no sítio onde está implantado este azulejo monocromático, já esteve ou está ainda, consoante as versões, guardado o Graal, que para aqui teria sido trazido há muito tempo, ainda não havia quinta, e que aqui teria ficado. Para outros, daqui partiu depois, não se sabendo bem quando, para uma igreja escocesa que tem uma inscrição que reza o seguinte: aqui jaz o Santo Graal trazido de uma quinta de Portugal...



Ao longo de uma fileira, se apresentam estátuas de evocação clássica, com figuras da mitologia grega e romana. Neste caso, apresenta-se, salvo erro, Orfeu, grande música que partiu com os Argonautas e que desceu aos infernos e negociou com Hades para recuperar a sua amada. O deus do submundo comoveu-se com a sua música e autorizou Orfeu e levar de novo a sua esposa para a vida, mas com a condição de que esta seguiria atrás dele até sair do inferno e que este não poderia voltar-se para trás para vê-la enquanto não estive para lá dos seus portões. Claro está, como em todas as grandes histórias clássicas, também aqui, desgraça... Orfeu, corroído pela ansia de ver a sua amada e na dúvida de ter sido enganado por Hades, voltou-se ao último passo antes de sair do inferno, confirmou que a sua mulher o seguia e que não havia sido enganado pelo deus, mas ao fazê-lo perdeu-a para sempre desta vez pois não cumprira o acordado, tendo esta desvanecido em fumo perante os seus olhos...





Tendência para olhar para a esquerda... Mais uma vez, têm de aturar a minha insistente vontade de ocupar o espaço envolvente, impedindo os fiéis leitores de apreciar convenientemente o lugar visitado...



Mais um pormenor que merece referência, como tantos outros que aqui não estão por distração minha, por falta de espaço de armazenamento, por falta de tempo para ver toda a Quinta com olhos de ver, enfim, tantos motivos para voltar lá e rever tudo com mais atenção... Nesta imagem, um ser da mitologia, como não podia deixar de ser, uma cara de Pã, deus dos campos e da terra, protector dos animais e dos pastores. Um deus da vida e da felicidade, com atributos de animal montês, tantas vezes e por tantos século tornado demónio de uma religião que não era a sua e da qual, se lhe tivessem perguntado, não desejaria fazer parte...



Por último, a rainha Leda, que concebeu pela bicada de um cisne... Ao que parece a gravidez divina e sem intervenção física é algo muito popular e nada exclusivo da cristandade. Mas esta estátua em particular, encomendada ao gosto do mentor da obra total, ao que me foi informado, representa o espírito ecuménico do criador do espaço mágico-espiritual da Quinta. Como podem ver, Zeus, na forma de cisne bica a perna da rainha Leda, que segura na suas mãos uma pomba, símbolo do Espírito Santo cristão.



Espero sinceramente que tenham apreciado esta pequena súmula de visões sobre um monomento nacional e da humanidade que está aqui tão perto de Lisboa e que parece passar despercebido ao comum dos mortais. Na verdade, parece que só os Românticos e os apaixonados pela história ou pelo oculto conhecem este magnífico local, onde se pode descobrir toda uma dimensão da cultura em Portugal que raramente nos é revelada na escola. Muito ficou por dizer sobre esta exuberante parte do património da nossa lusitana praia, mas assim sempre é mais um motivo para visitar a Quinta da Regaleira...
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Viagens na minha Terra: Queda do Vigário

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Boa noite...


Reservo o post de hoje para vos mostrar um cantinho do Algarve. Uma queda de água deliciosa e deserta nesta altura do ano, rodeada de verde esmeralda, que embala com a cadência da água e o chilrear dos pássaros.




Para vós...


"A Queda do Vigário é uma queda de água da ribeira de Alte, que nasce na Quinta do Freixo, junta-se com a ribeira de Algibre perto de Paderne, formando a ribeira de Quarteira. Despenha-se a pique a 24 metros de altura caindo num grande lago que se assemelha a um alguidar, num local de grande beleza natural

Esta obra terá sido feita a mandado de Duarte de Melo Ribadeneyra, 18º Senhor de Alte, nos finais do século XVII, com o objectivo de embelezar a ribeira. No entanto, supõe-se que já existisse uma queda de água mais pequena, permanente ou temporária, nesse local. Há registos, nos arquivos da Casa d’ Alte que referem que a Queda do Vigário ficou tão bem construída, que nem foi afectada com o terramoto de 1755. Outrora, este espaço era muito procurado pelos habitantes locais para passear e tomar banho, aos domingos ou em dias de festa.

O terreno envolvente à Queda do Vigário foi adquirido, a particulares, pela Câmara Municipal de Loulé em 2002, que executou, posteriormente, obras com vista à criação de acesso, zona de lazer, parque de merendas e um edifício de apoio.

O espaço sofreu remodelações recentes, tornando-o ainda mais aprazível e propicio a momentos de lazer.

O acesso a este bonito espaço faz-se, após o estacionamento, junto ao cemitério de Alte, numa descida de cerca de 300 metros."




Se bem que a queda de água não se encontrava no seu máximo esplendor, pois, no meio do Outono e depois de um Verão muito seco, ainda não havia chovido o suficiente para alimentar o fôlego da água, este pequeno tesouro da natureza brinda-nos com uma pequena lagoa de água esmeralda e um véu branco que são da mais inesperada beleza no meio da serra algarvia.





Claro está que aproveitámos o luxuriante verde circundante para apaziguar a nossa fome. Claro está também que onde eu vou tem que ser montado um enorme espectáculo à minha volta, portanto, aqui me encontro a dispor o "estáminé" que forcei o meu talentoso fotografo e namorado a levar connosco, para contentamento da minha maneira de ser peculiar.





Pausa para leitura, claramente fictícia... Eu ainda quis por-me a ler para quem quisesse ouvir, mas depois achei que o tema não seria do agrado geral e contive-me...





Tempo também para as fotografias, leiam-se, artísticas, com o meu copo favorito, como podem comprovar pelas fotos de outros posts.



Aqui, o belo verde do local funde-se com o verde do alimento para o espírito... Quem sabe o que contém aquele copo?... Assim abandonado como uma oferta, estrategicamente colocado e equilibrado nas ervas frescas?...





Continuando com o hino ao meu ego, devem desculpar-me por ocupar constantemente as paisagens que vos devia mostrar, mas é simplesmente mais forte do que eu... De qualquer modo, podem ver, obstruído, eu sei, o retrato geral deste lugar escondido na Concelho de Loulé.



Mas não digam a ninguém... Este lugar é para preservar intocado e intocável, perfeito e ligeiro para os próximos que o pretenderem apreciar...


Mais fotos da Queda do Vigário

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Viagens na minha Terra: Mosteiro dos Jerónimos

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Boa noite...


A todos os que apreciam o prazer de laurear a pevide, mais uma vez, uma visão maravilhosa da arquitectura portuguesa que pode ser visitada na cidade capital, Lisboa... Deixo-vos o Mosteiro dos Jerónimos...





"Data de 1496 o pedido feito pelo rei D.Manuel I à Santa Sé, no sentido de lhe ser concedida autorização para se erigir um grande mosteiro à entrada de Lisboa, perto das margens do Tejo. Em 1501 começaram os trabalhos e aproximadamente um século depois, as obras estavam concluídas. As razões da construção do Mosteiro dos Jerónimos prendem-se, por certo, com a vontade do monarca reunir em panteão o ramo dinástico por ele iniciado (Avis-Beja).

D. Manuel I e os seus descendentes foram sepultados em túmulos de mármore colocados na capela-mor da Igreja e capelas laterais do transepto. A dedicação do Mosteiro à Virgem de Belém foi outro factor que pesou na decisão régia. O Mosteiro dos Jerónimos, como é vulgarmente conhecido, veio substituir a igreja outrora existente no mesmo local, cuja invocação era Santa Maria de Belém e onde os monges da Ordem de Cristo prestavam assistência aos mareantes em trânsito.

O edifício exibe uma extensa fachada de mais de trezentos metros, obedecendo a um princípio de horizontalidade que lhe confere uma fisionomia calma e repousante. Foi construído em calcário de lioz que se tirava muito próximo do local de implantação, na Ajuda, no Vale de Alcântara, Laveiras, Rio Seco e Tercena.



Dada a grandiosidade do projecto e a riqueza da execução, sucederam-se as empreitadas de construção e os mestres responsáveis por elas: Diogo de Boitaca (c.1460-1528), João de Castilho (c.1475-1552), Diogo de Torralva (c. 1500-1566), Jerónimo de Ruão (1530-1601) são alguns dos nomes que o Mosteiro recorda e que deixaram marca indelével neste monumento.

D. Manuel I canalizava para as obras de Belém grandes somas. Boa parte da chamada " Vintena da Pimenta" (aproximadamente 5% das receitas provenientes do comércio com a África e o Oriente, o equivalente a 70 kg de ouro por ano) servia para custear os trabalhos que, desde o início, decorrem em estreita dependência do próprio rei.

No século XIX o Mosteiro assistiu a intervenções arquitectónicas pontuais que, embora não alterando a sua estrutura primitiva, vieram dar-lhe a forma que lhe conhecemos hoje. A cúpula sineira, o corpo do dormitório (hoje Museu de Arqueologia) e a sala do Capítulo foram alguns dos locais que maiores alterações sofreram.

Foram colocados na Igreja as arcas tumulares de Vasco da Gama e Luís de Camões, da autoria do escultor Costa Mota tio, no final do Século IXX (1894).



O Mosteiro dos Jerónimos é habitualmente apontado como a "jóia" da arquitectura manuelina, que integra elementos arquitectónicos do gótico final e do renascimento, associando-lhe uma simbologia régia, cristológica e naturalista, que a torna única e digna de admiração.

Para ocupar o Mosteiro, D. Manuel I escolheu os monges da Ordem de S. Jerónimo , que teriam como funções, entre outras, rezar pela alma do rei e prestar assistência espiritual aos mareantes e navegadores que da praia do Restelo partiam à descoberta de outros mundos.

Durante quatro séculos essa comunidade religiosa habitou nestes espaços, mas em 1833 foi dissolvida e o lugar desocupado. O Mosteiro dos Jerónimos passou a integrar os bens do Estado e o espaço conventual foi destinado ao colégio dos alunos da Casa Pia de Lisboa (instituição de solidariedade social destinada especialmente ao apoio a crianças), que aqui permaneceram até cerca de 1940.

Desde sempre intimamente ligado à casa Real Portuguesa, o Mosteiro dos Jerónimos, pela força da Ordem e suas ligações a Espanha, pela produção intelectual dos seus monges, pelo facto de estar inevitavelmente ligado à epopeia dos Descobrimentos e, inclusivamente, pela sua localização geográfica, na capital, à entrada do porto, é desde cedo interiorizado como um dos símbolos da nação."









Interior da igreja do mosteiro, com o tecto em cruzaria




Pormenor da fachada



Corredor do claustro



Interior da igreja do mosteiro



Pequena fonte no pátio do claustro





Visões do pátio do claustro



Refeitório dos monges, incomodado por mim



escada interior, do claustro para a igreja



Relevo nos corredores do claustro



Vitral no interior da igreja


Novamente, devem desculpar a falta de prosa floreada, mantém-se a apatia criativa no meu cérebro...

domingo, 11 de outubro de 2009

Viagens da minha Terra: Castelo dos Mouros


Boa Noite...


Parto novamente em viagem, desta vez e para vós... Castelo dos Mouros.



"Antigo castelo de provável fundação muçulmana, durante o séc. IX, no qual nunca se travou nenhuma batalha. De facto, tanto os ocupantes muçulmanos como cristãos rendiam-se invariavelmente após a conquista de Lisboa pelo lado oposto, apesar da aparente invulnerabilidade do Castelo.

Tal facto deve-se à sua função, que não era tanto a da defesa da vila e sim de defesa e vigilância de Lisboa e arredores, conjuntamente com outras vilas do termo de Lisboa. Em 1154, D. Afonso Henriques concede carta de foral à vila.

Com o contínuo avanço da Reconquista para Sul, o Castelo dos Mouros perde a sua importância estratégica, acabando por ser totalmente abandonado durante a Segunda Dinastia. Nos finais de quatrocentos apenas habitavam o sítio do castelo alguns judeus, segregados do resto da comunidade por ordem régia e até esses acabaram por sair devido  à expulsão das minorias étnicas e religiosas. À ruína devida à passagem do tempo, juntou-se a provocada pelo terramoto de 1755. No séc. XIX, D. Fernando II aforou a velha fortaleza e procedeu ao seu restauro integral. Como acontece com quase todos os vestígios monumentais sintrenses mais remotos, pouco é já o que pode ser observado que seja de origem. Do que hoje se vê, apenas a base das torres e as muralhas remontarão à fundação inicial."








... Às portas da capela, às portas do castelo... Abre-se um mundo de pedra cinzenta e húmida, comida pelo musgo e pela neblina...













E um morador da serra veio despedir-se de mim ao fim da jornada...


Devem desculpar a ausência de texto criativo, mas não me sinto particularmente inspirada hoje, por isso, em vez de vos maçar com as minhas divagações de literatura pedante, deixo-vos somente com as imagens deste belo local...